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A
PLANTA DA MODA
De tempos em tempos surge uma notícia - com ou sem
fundamento - apregoando as virtudes e as capacidades maravilhosas
de alguma planta. De repente, par e passo, aparecem dezenas,
centenas de especialistas, usuários, laboratórios,
e toda a "troupe" que segue o rastro dos interesses
comercias imediatos nesta área.
Foi assim com o ipê roxo, com o confrei, com a equinácea,
com a gingko biloba, com a erva-de-São João,
e com tantas outras que tiveram seus dias de glória,
que algumas ainda mantêm. A bola da vez é a
porangaba.
Anunciar de maneira irresponsável e descrever as
vantagens e os resultados obtidos, sem compromisso com a
verdade, induz a riscos que podem ser - e quase sempre são
- potencializados pelo desejo de resultados fáceis
e pela necessidade de acreditar em soluções
imediatas.
Fantasias e negócios à parte, algumas questões
parecem ser relevantes prá quem acha que saúde
é coisa séria:
1. Risco de má utilização: dosagem
inócua, superdosagem tóxica, desleixo com
algum tratamento em andamento.
2. Acobertamento de sintomas: tratamentos que eliminam
sintomas podem esconder algum mal que o organismo está
tentando mostrar.
3. Exploração comercial: a empolgação
com os artifícios de marketing superestima os resultados
possíveis e induz ao pagamento de valores imensamente
maiores que o preço real do produto adquirido.
4. Tendência ao extermínio da planta: invariavelmente,
as plantas da moda se aproximam perigosamente de índices
populacionais de risco à sua sobrevivência
com espécie.
5. Perda de confiança na Fitoterapia: a conclusão
acaba sendo a da inconsistência do tratamento fitoterápico.
Recebemos inúmeras consultas sobre a eficácia
destas plantas quando "entram na moda", a tal
ponto, que procuramos criar respostas elucidativas que encaminhamos
aos solicitantes como, por exemplo, a que se refere à
porangaba, que ilustramos a seguir:
Não poderíamos, por uma questão de
ética, tecer considerações sobre algum
produto comercial específico. No entanto, podemos
e devemos orientar aqueles que porventura desejarem alguma
informação que, por força de nossos
estudos e de nosso trabalho pudermos dispor.
Desse modo, aí vai!
A porangaba ou cafezinho-do-mato, mais conhecida como chá-de-
bugre, é uma pequena árvore com cerca de até
8 m de altura, mais comumente encontrada nos estados de
Minas Gerais, Goiás e Bahia.
Seu nome científico é Cordia salicifolia
(Cordia ecalyculata).
Planta extremamente conhecida e utilizada tradicionalmente
pela fitoterapia brasileira, principalmente como diurético,
febrífugo e estimulante circulatório.
Recentemente esta planta tem sido explorada comercialmente
aproveitando os modismos de "tomar cápsulas
e chás para emagrecer". A quantidade de informações
superficiais e errôneas que o mercado libera para
atingir suas finalidades de venda também vêm
crescendo.
Alguns produtos anunciados - cápsulas para emagrecer
- são simplesmente folhas da planta pulverizadas.
Existem poucas pesquisas sobre os efeitos desta planta.
Os registros são, na sua maioria, resultantes de
observações clínicas, isto é,
de resultados obtidos com a sua utilização
prática sem, no entanto, haver controle ou análise
estatísticas que validem estas observações.
Pesquisas recentes no Japão identificaram ação
antiviral no caso de herpes.
O chá-de-bugre tem sido utilizado como diurético
e auxiliar no tratamento contra a obesidade, pois parece
apresentar um efeito redutor do apetite. É uma planta
rica em substâncias amargas e cafeína. Além
disso, como já dissemos, tem marcante ação
diurética.
Portanto, a porangaba (a planta) pode ser usada como coadjuvante
em um tratamento para emagrecer. Observe: pode ser usada
e como coadjuvante, isto é, como um dos ítens
componentes de um tratamento, porque possui características
que auxiliam o processo de recuperação do
peso normal.
NÃO EXISTE PLANTA QUE FAÇA EMAGRECER! Isto
significa que nenhum chá tomado isoladamente trará
resultados positivos na redução do peso.
Esperamos ter contribuído com o seu interesse. Fique
à vontade, se tiver dúvidas.
Um grande abraço!
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