Se é
natural nao faz mal, será?
A evolução
das civilizações, criando um mundo com muitas
e variadas possibilidades para a vida humana, construindo
estruturas cada vez maiores, desenvolvendo tecnologias
sempre mais e mais avançadas, chegou mesmo a trazer
para dentro de nossa realidade uma outra, uma realidade
virtual onde o limite é a própria capacidade
imaginativa.
Tudo isso,
porém, ainda está atrelado a um outro aspecto
até hoje imutável: o fato de que toda a criatividade
humana não pode prescindir da natural realidade da
existência do homem. Em outras palavras, por mais
que continue inventando, criando e fazendo com que seus
inventos evoluam muito rapidamente, o próprio homem
permanece praticamente imutável como criação
da Natureza e, como elemento dessa Natureza, evolui segundo
o ritmo e as regras naturais.
Talvez por
isso mesmo quase todo mundo goste de ver os campos, de olhar
o mar, de passear na praia, de passar uns dias na fazenda
ou até mesmo fazer tudo isso na frente da televisão...
O vínculo natural não foi cortado.
Talvez por
isso também nunca será perdido o valor daquele
conhecimento que se tiver dos princípios que regem
essa Natureza e as formas de interação da
Vida Universal nas suas mais diferentes manifestações.
Esse conhecimento nunca estará ultrapassado, pelo
menos enquanto a humanidade precisar respirar, se alimentar,
controlar as variações em seu estado de saúde,
e assim por diante.
Então,
pode-se reparar como desperta a curiosidade, senão
mesmo o interesse de uma grande maioria, quando esse conhecimento
se torna disponível porque, geralmente, não
está. E não está disponível
no dia-a-dia porque foi deixado de lado por outro mais complexo,
mais trabalhado, mais trabalhado, mais artificializado.
Conhecer a
maneira como os diversos componentes da Natureza interagem
e, em especial, como nos afetam direta e indiretamente,
acaba criando a possibilidade de se dispor dessa interação.
Na área
da saúde, por exemplo, geralmente desperta interesse
e é motivo até de um certo orgulho, saber
como resolver questões de desequilíbrio, de
enfermidades, ou mesmo de ordem estética, através
do uso de plantas. Assim, a prática do saber fitoterápico
tem um gostinho de realização para aquele
que resolve aquelas questões dispondo do conhecimento
que adquiriu.
Há,
no entanto, um deslumbramento com as coisas naturais - bastante
compreensível como se viu até aqui - que durante
muito tempo fez com que se acreditasse que "se é
natural, mal não fará".
Ora, picada
de cobra, pêlo de urtiga e raio em tarde de temporal
também são bastante naturais...
Especificamente,
quando se lida com plantas com fins terapêuticos,
não se deve deixar de buscar um aprofundamento nos
princípios que regem as medidas que se pretende tomar,
ou mesmo as recomendações que se pretende
fazer. É especialmente imprescindível para
uma intervenção de sucesso, conhecer a interação
que se dará entre aqueles componentes naturais: a
planta, isto é, o seu fitocomplexo, e o homem que
dela estará dispondo com o intuito de promover uma
alteração na situação de desequilíbrio
em que seu organismo se encontra.
Entre os povos
indígenas desse grande Brasil alguns aspectos culturais
são comuns, quando se consideram os diferentes grupos
- nações de línguas e costumes diversos
- que ao longo de suas respectivas histórias desenvolveram
sua sabedoria: em seu conhecimento terapêutico, assim
como entre os chineses a alguns milhares de anos, raramente
adotam uma planta isolada para algum tratamento. Invariavelmente
são verdadeiras panacéias, sem o sentido irresponsável
do estigma que essa palavra cunhou.
E é
assim extamente porque o uso de uma planta isolada pode
ter uma conseqüência tal que será então
suprimida ou equilibrada pela outra que agirá em
conjunto, e assim por diante.
Então,
para os naturais da terra, boa parte de seu mundo é
natural: parte boa e parte má. Deve-se conhecê-lo
inteiro. A verdade está no equilíbrio.
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