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AMEAÇAS
À REGIÃO
A Mata Atlântica é uma das florestas tropicais
mais ameaçadas do mundo. De fato, é o ecossistema
brasileiro que mais sofreu os impactos ambientais dos ciclos
econômicos da história do país. Para
se ter uma idéia da situação de risco
em que se encontra, basta saber que à época
do descobrimento do Brasil ela tinha uma área equivalente
a um terço da Amazônia, ou 12% do território
nacional, estendendo-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande
do Sul. Hoje, está reduzida a apenas 7% de sua área
original.
Em contraste com a exuberância da biodiversidade local,
as estatísticas indicam que mais de 70% da população
brasileira vive na região da Mata Atlântica.
Além de abrigar a maioria das cidades e regiões
metropolitanas do país, a área original da
floresta também concentra os grandes pólos
industriais, petroleiros e portuários do Brasil,
respondendo por nada menos de 80% do PIB nacional.
Durante 500 anos a Mata Atlântica propiciou lucro
fácil ao homem. Ainda no século XVI, houve
a extração predatória do pau-brasil,
utilizado para tintura e construção. A segunda
grande investida foi o ciclo da cana-de-açúcar.
Grandes quantidades de Mata Atlântica foram destruídas,
não apenas para abrir espaço para os canaviais,
mas também para alimentar as construções
dos engenhos e as fornalhas da industria do açúcar.
O descaso ambiental era tão grande que, até
o final do século XIX, ao invés de alimentar
as caldeiras dos engenhos com o próprio bagaço
da cana, prática rotineira no Caribe, optava-se por
queimar árvores para servir de lenha.
No século XVIII, foram as jazidas de ouro que atraíram
para o interior um grande número de portugueses.
A imigração levou a novos desmatamentos, que
se estenderam até os limites com o Cerrado, para
a implantação de agricultura e pecuária.
No século seguinte foi a vez do café, que
exerceu um grande impacto sobre a Mata Atlântica.
As florestas que cobriam o Vale do Paraíba, centro
da produção cafeeira, foram destruídas
com total falta de cuidado. O café, espécie
de origem africana acostumado a crescer em áreas
sombreadas, foi cultivado no Brasil em espaços abertos
e desflorestados. As queimadas, feitas de forma descuidada,
espalhavam-se pelas fazendas.
E, então, já na metade do século XX,
chegou a vez da extração da madeira. No Espírito
Santo, as matas passaram a ser derrubadas para fornecer
matéria-prima para a indústria de papel e
celulose. Em São Paulo, a implantação
do Pólo Petroquímico de Cubatão tornou-se
conhecida internacionalmente como exemplo de poluição
urbana. Esse processo desorientado de desenvolvimento ameaça
inúmeras espécies, algumas quase extintas
como o mico-leão-dourado, a onça pintada e
a jaguatirica.
Do período colonial aos dias de hoje, as florestas
da Mata Atlântica estão reduzidas a 7% de sua
cobertura original, com áreas específicas,
como as florestas de Araucária, com apenas 2% da
cobertura remanescente.
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