Flores e Plantas - TaturanaFlores


Destino


Por muito tempo o Pantanal foi desdenhado pelos brasileiros. As enchentes constantes eram um obstáculo para a criação de cidades e para a agricultura em larga escala. A região só atraiu criadores de gado bovino, interessados nas pastagens baratas e sem cercas. Daí as famosas comitivas de gado, que ainda hoje atravessam o Pantanal das áreas alagáveis para as secas, quando a chuva tem início, e no sentido inverso, quando as águas começam a baixar. A fartura dos peixes atraiu pescadores que agiram de forma descontrolada e predatória. Caçadores, contrabandistas de peles de crocodilo e de pássaros raros ameaçaram várias espécies da região. Por fim, as populações indígenas, desprotegidas, foram expulsas de suas terras ou exterminadas por doenças.

Felizmente, a situação do Pantanal hoje está bem melhor. Boa parte da região está protegida por parques e reservas. No entanto, muitos dos problemas herdados do passado continuam a ameaçar a região. E outros, modernos, somaram-se a eles, como a idéia de transformar o Pantanal numa longa avenida aquática para o escoamento da produção de Mato Grosso e Goiás. Por isso, os ecologistas correm contra o tempo para mostrar que, de um lado, é possível fazer com que o Pantanal gere riquezas mantendo-se conservado; e, de outro, provar que a riqueza natural da região vale mais que qualquer idéia que implique na sua destruição.

ANTIGAS VOCACOES! Durante muito tempo, a agricultura, feita nas áreas não-alagáveis, e principalmente a pecuária moveram a economia da região. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o rebanho bovino no Pantanal é de 3 milhões de cabeças. A pecuária demonstrou ser uma atividade harmônica com o ecossistema, simplesmente pelo fato de ela existir há tanto tempo e de ter causado pouca devastação - a não ser no caso das onças-pintadas, caçadas porque atacam o rebanho e que quase desapareceram. Hoje, há vários estudos tentando estabelecer o real impacto da pecuária no ritmo de vida das espécies selvagens.

Uma coisa, porém, já é certa: essas atividades podem ser desenvolvidas de forma sustentável porque dependem de áreas preservadas e do próprio fluxo das águas. O Fundo Mundial para a Natureza, o WWF, mantém um projeto(veja outro projeto) para melhorar a qualidade técnica dessas atividades, e fixar o peão no campo. São as Escolas Pantaneiras. A primeira turma já está formada e outros fazendeiros querem levar a escola até suas propriedades. As aulas tratam de temas práticos como lida com o gado(veja materia especial), artesanato em couro e mecânica de tratores, mas o currículo também inclui lições sobre meio ambiente e as vantagens de conservar a natureza. Para compensar perdas econômicas com a proteção na natureza, os proprietárias e os peões aprendem a complementar sua renda com o turismo no Pantanal.

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