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Fantasmas
do Pantanal
De bela plumagem azul-cobalto, essa arara é
o maior pássaro Pstttacidae do mundo e vive
nos buritizais, matas ciliares e cerrado adjacente ao Pantanal.
Mas a arara-azul também é uma amostra de como
o problema do trático de animais pode ser combatido:
com pesquisa, conscientização das populações
locais e, claro, fiscalização. A pesquisa
acontece graças a uma parceria entre a Universidade
para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal,
a Fundação Manoel de Barros e a Estância
Caiman, uma das primeiras fazendas pantaneiras a adotar
o turismo ecológico e sede do projeto.
O projeto vai monitorar todo o ciclo de vida da arara-azul,
a começar do ninho. Num deles foi instalada uma microcâmera
que permite acompanhar tudo o que acontece lá dentro.
A conscientização dos fazendeiros garante
o sucesso da iniciativa. Outras 20 fazendas espalhadas nas
regiões da Nhecolândia, Abobral e Nabileue
aderiram ao programa. Juntas, elas protegem mais de 230
ninhos naturais e outros 120 construídos artificialmente
pelos biólogos. Os próprios proprietários
e funcionários das fazendas tornaram-se agentes em
defesa da arara-azul. Eles observam os ninhos e anotam todas
as modificações percebidas. Mas, principalmente,
agem como uma brigada contra o Tráfico de animais,
ajudando a fiscaliza;ão da Policia Florestal.
O FANTASMA DA HIDROVIA A hidrovia Paraguai-Paraná
é o maior perigo que ronda o Pantanal. Embora o atual
governo tenha anunciado que desistiu do projeto, os ecologistas
temem que ele possa ser reEirado da gaveta a qualquer momento.
A proposta da hidrovia é Ligar os 3442 quilômetros
que separam Cáceres, no Mato Grosso, a Nueva Palmira,
no Uruguai. Isso permitiria que boa parte da produção
de grãos, principalmente soja, fosse escoado até
o Oceano Atlântico a um custo muito baixo. O argumento
de que isso retiraria milhares de caminhões das estradas,
produzindo um ganho ecológico, além de ajudar
no desenvolvimento da região central do Brasil, seduziu
muita gente. Mas a verdade é que o custo disso poderia
ser o fim do Pantanal.
Para entender a extensão da tragédia, épreciso
compreender que o rio Paraguai, por ser o principal da região,
acaba controlando a dimensão da planície alagada
na época das cheias. Para que a hidrovia funcione,
o leito do rio teria que ser escavado de forma a aumentar
sua vazão - ou seja, as águas correriam mais
rapidamente rumo ao Atlântico. Hoje, a declividade
do Paraguai não atinge 3 centímetros por quilômetro
e, por isso, as águas correm muito lentas.
Mas é exatamente essa dificuldade de escoamento
que provoca as inundações. As águas
que chegam não conseguem escoar e alagam tudo. Escavar
o rio Paraguai é como dar um golpe mortal no coração
que faz o Pantanal pulsar.
Como alternativa à hidrovia Paraguai- Paraná,
os pesquisadores da Fundação Ecorrópica
propõem o escoamento de roda a produção
de grãos por meio das hidrovias Madeira-Amazonas
e Tocantins-Araguaia, que já estão sendo construídas,
e que levariam a carga até o porto de Belém,
no Pará. Além de não interferir na
natureza do Pantanal, os grãos desaguariam no Atlântico
bem mais próximos do mercado europeu e, consequentemente,
a um custo mais baixo.
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